Uso das
plantas medicinais e suas controvérsias.
Fitoterapia é uma palavra muito antiga, originária
do grego, que quer dizer: phyton = vegetal e therapia =
tratamento. É o estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das
doenças.
A definição de fitoterápico não engloba o uso
popular das plantas em si, mas sim seus extratos. O estudo desses mecanismos e
o isolamento do princípio ativo, que é a substância ou conjunto delas, é o
responsável pelos efeitos terapêuticos da planta e uma das principais prioridades
da farmacologia.
Medicamento fitoterápico é aquele alcançado de
plantas medicinais, onde utiliza-se exclusivamente derivados de droga vegetal,
tais como: suco, cera, maceração, exsudato, óleo, extrato, tintura, entre
outros. O termo confunde-se com fitoterapia ou com planta medicinal que
realmente envolve o vegetal como um todo no exercício curativo e profilático.
Os fitoterápicos são medicamentos industrializados, onde são tratados através
de legislação específica. São uma mistura complexa de substâncias, onde, na
maioria dos casos, o princípio ativo é desconhecido.
O simples fato de coletar, estabilizar e secar um
vegetal não o torna fitoterápico. Deste modo, vegetais íntegros, macerados,
triturados ou pulverizados, não são considerados medicamentos fitoterápicos, em
outras palavras, uma planta medicinal não é um fitoterápico. Também não são
considerados fitoterápicos os chás, medicamentos homeopáticos e partes de
plantas medicinais.
AS PLANTAS
MEDICINAIS
A OMS (Organização Mundial de Saúde) define planta
medicinal como sendo “todo e qualquer vegetal que possui, em um ou mais órgãos,
substâncias que podem ser utilizadas com fins terapêuticos ou que sejam
precursores de fármacos semissintéticos”.
A diferença entre planta medicinal e fitoterápico
reside na elaboração da planta para uma formulação específica, o que
caracteriza um fitoterápico. Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária, em
sua portaria nº 6 de 31 de janeiro de 1995, fitoterápico é “todo medicamento
tecnicamente obtido e elaborado, empregando-se exclusivamente matérias-primas
vegetais com finalidade profilática, curativa ou para fins de diagnóstico, com
benefício para o usuário. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos
riscos do seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua
qualidade. É o produto final acabado, embalado e rotulado. Na sua preparação
podem ser utilizados adjuvantes farmacêuticos permitidos na legislação vigente.
Não podem estar incluídas substâncias ativas de outras origens, não sendo considerado
produto fitoterápico quaisquer substâncias ativas, ainda que de origem vegetal,
isoladas ou mesmo suas misturas”. Neste último caso encontra-se o fitofármaco, que
por definição “é a substância ativa, isolada de matérias-primas vegetais ou
mesmo, mistura de substâncias ativas de origem vegetal” (VEIGA JUNIOR; PINTO,
2005).
A temática “Plantas Medicinais” é discutida
mundialmente e tornou-se alvo de pesquisas constantes, pois sua importância
define-se e relaciona-se com todo o presente, passado e futuro da civilização
(MORAIS, 2001). Durante milênios o homem aprendeu a conhecer as plantas e
valer-se de suas propriedades para sanar suas enfermidades orgânicas. As
plantas foram, durante quase toda a história da humanidade, a maior e mais
importante fonte de substâncias medicamentosas para aliviar e curar os males
humanos (SCHOLZ, 2002).
VANTAGENS DE USAR PLANTAS MEDICINAIS
A falta de credibilidade no poder de cura das
plantas medicinais ocorre porque esse tipo de medicina alternativa é baseada
principalmente na sabedoria popular. Contudo, esse tipo de pensamento está
mudando por vários motivos. Um dos motivos mais importantes é que muitas
plantas utilizadas na prática popular estão sendo estudadas, com suas eficácias
comprovadas cientificamente. Isto deve-se ao fato de que muitas indústrias
farmacêuticas têm interesse em comprovar o poder de ação dos extratos ou
princípios ativos das plantas medicinais, no intuito de elaborar medicamentos
fitoterápicos. Esse tipo de medicamento está sendo bastante valorizado
ultimamente, pois são medicamentos com pouca ou quase nenhuma contraindicação,
que geralmente não apresentam efeitos adversos, sendo considerados “os
medicamentos do momento”. Outro motivo para valorizar a utilização das plantas
medicinais é que elas podem ser facilmente encontradas, seja nos quintais de
casas, cultivadas em vasos ou canteiros; não fazem mal aos animais ou homens
que delas utilizam. A produção de remédios caseiros não traz prejuízos ao meio
ambiente, são remédios fáceis de fazer e custam bem menos que remédios de
farmácia.
REFLEXÃO SOBRE O ASSUNTO
O uso das plantas medicinais promove o
enriquecimento da biodiversidade nativa, o fortalecimento e valorização do
conhecimento popular, bem como o fortalecimento da agricultura familiar
agroecológica gerando emprego e renda para as famílias que delas utilizam.
Também podemos mencionar que a pecuária orgânica é um modelo de produção
sustentável que tem em sua essência a simplicidade e a harmonia com a natureza,
sem deixar de lado a produtividade e a rentabilidade para o produtor, onde
todos os princípios de agroecologia podem ser aplicados.
Num sistema orgânico de produção a saúde dos
animais é um indicativo do sucesso do manejo. Se algum animal adoecer significa
que algo está sendo mal conduzido e tudo deve ser reavaliado, para se encontrar
e sanar o problema. Assim, a saúde animal passa a ser considerada a habilidade
de resistir a infecções, ataques de parasitas e perturbações metabólicas, sem
uso de drogas químicas (MEDEIROS et al., 2003). Tendo-se aí a necessidade de
introdução do uso de plantas medicinais para prevenção, tratamento e controle
de doenças animais integrados no sistema agroecológico.
REFERÊNCIAS
MEDEIROS, I. C. L. S.; SILVA, C. D.; BRAGA, D. B. O.; AQUINO, A. M.;
LIMA, C. A. R. Agroecologia: aspectos relacionados à pecuária orgânica. In: I
Congresso Brasileiro de Agroecologia, IV Seminário Internacional sobre
Agroecologia, V Seminário Estadual sobre Agroecologia, 2003, Porto Alegre: Emater
RS, p.2-33, 2003.
MORAIS, J. Um outro jeito de curar. Revista Super Interessante.
São Paulo. Maio, 2001.
PAIVA, A. L. C; BAYLE. E; ALMEIDA, D. B. B; SILVA, P. S. Uso das plantas
medicinais na criação animal. Natal. 2010. Cartilha.
33p.
SCHOLZ, C. A saúde que vem da natureza. Revista Veja. São Paulo:
Ano. 35, n.18. 2002.
VEIGA JUNIOR, V. F.; PINTO, A. C. Plantas medicinais: cura segura? Química
Nova, v. 28, n. 3, p. 519-528. 2005.


Nenhum comentário:
Postar um comentário