Levantamento
das espécies de conchas ocupadas por ermitões na Ilha
das Canárias, APA do delta do rio Parnaíba, Brasil.
André
Luis Souza Galisa¹, Lidia Maria Souza Vieira Filha¹, Jéssica Maria dos Santos Mesquita¹,
Lissandra Corrêa Fernandes-Góes1, 3 & João Marcos de Góes2,3.
1-Universidade
Estadual do Piauí (UESPI), Avenida Nossa Senhora de Fátima, s/nº, Bairro de
Fátima, Parnaíba-PI. Cep: 64202-220.
2-Universidade
Federal do Piauí (UFPI), Avenida São Sebastião, 2819, Bairro São Benedito,
Parnaíba-PI. Cep: 64202-020.
3-
NEBECC – Núcleo de Estudos em Biologia, Ecologia e Cultivo de Crustáceos.
freudgalisa@hotmail.com¹
ligadre27@hotmail.com¹
jessicamesquita25@hotmail.com¹
lissandragoes@uol.com.br1,
3
jmarg@uol.com.br2,3
As conchas
constituem um recurso limitante e essencial para a sobrevivência dos ermitões, sendo sua seleção determinada pela disponibilidade no ambiente
e por características estruturais como tamanho, peso, forma da abertura,
ornamentações externas e arquitetura, que potencializam a proteção contra
predação e também dessecação nas regiões entre marés, além de proporcionar
proteção aos ovos das fêmeas no período reprodutivo. Os
ermitões conseguem carregar suas conchas devido à torção de seu abdômen, que
associada à presença de urópodos modificados, possibilita ao animal prender-se
à columela das conchas. O padrão de ocupação de conchas apresenta uma
correlação entre o tamanho do ermitão e o tamanho da abertura da concha, e esse
é um fator limitante ao seu crescimento e seu gasto energético. O presente
estudo teve como objetivo realizar o levantamento das espécies de conchas
ocupadas por ermitões na ilha das canárias. As coletas foram realizadas na Ilha das Canárias, APA do Delta do rio Parnaíba, de julho de
2004 a junho de 2005. Os animais foram coletados manualmente durante a maré
baixa. Os ermitões foram
retirados de suas conchas as quais foram mensuradas quanto à largura da
abertura (LA) e pesadas (PE). Foram
identificadas 4 espécies de conchas ocupadas por ermitões, 149 Pugilina morio, 264 Stramonita haemastoma, 1
Strombus sp com LA de 14,85mm e 1 Zidona
sp com LA de 22,0mm. Stramonita
haemastoma variando de 4 a 21,55mm de LA (13,19 ±2,58mm) e Pugilina morio variando de 7 a 21,90 mm
de LA (14,38 ±3,00mm). As conchas mais abundantes foram P.
morio e S. haemastoma pela
disponibilidade potencial no ambiente e pela acessibilidade dessas conchas,
sugerindo uma relação de dependência. Conchas mais
leves e com maior volume interno favorecem as fêmeas ovígeras, visto que o uso
desse tipo de concha proporciona maior espaço interno para os ovos, enquanto as
mais pesadas favorecem aos machos. Ermitões em
conchas menores do que os tamanhos preferidos crescem menos e têm proles
menores do que ermitões em tipos de conchas idênticas, mas de tamanho ideal. Algumas
espécies de conchas ocorreram em pequeno número indicando ocorrência acidental como
mostra em Strombus sp e Zidona
sp.
O registro destas espécies de conchas pode estar relacionado à influência de
correntes marítimas, ação de ondas, ventos e marés, fazendo com que estas
migrem para outras áreas.
Palavras-chave: Seleção, Proteção, Biodiversidade.
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